Prédica de Edgard Leite no Grande Templo, 14/12/2018

Atualizado: 1 de Mai de 2019



Terminamos, há pouco, a celebração de Hanuká. É a festa que celebra a restauração do Templo de Jerusalém, sua purificação, após a vitoriosa revolta liderada pelos Macabeus.

Essa celebração possui muitos significados, todos edificantes para o nosso povo, nossas consciências e nossas almas.


Na época dessa revolta (164 a.C.), o Templo de Jerusalém foi contaminado pelos estrangeiros e destruído. Estava reduzido à ruínas e tinha sido saqueado.


Os judeus tinham perdido sua autonomia espiritual. Tornaram-se incapazes de oferecer os sacrifícios ordenados pelo Eterno. O objetivo desses sacrifícios era redimi-los dos pecados que cometiam e aproxima-los uns aos outros e de Deus.


A luta contra os gregos era uma luta contra a destruição. Assimilação é uma palavra normalmente usada para designar um processo pelo qual deixamos de ser o que somos. Passamos a ser outra coisa. Isto é, morremos. Por isso, a luta contra os gregos era uma luta pela vida, pela existência.

O que foi feito ali, sob a liderança dos Macabeus, foi a obra física de reconquistar, para o povo, aquele espaço sagrado, no qual estavam fundados os elementos da identidade religiosa e nacional.


Mas a maior obra foi realizada pelo Espírito de Deus: o milagre pelo qual o óleo purificado queimou por oito dias, iluminando a escuridão do Templo destruído. Tal milagre foi maravilhoso, e cheio de significado. Mostrou como, do fundo da escuridão da morte, a luz da vida brilha, emanando da essência de Deus.

Não parecia haver combustível, neste mundo, para a chama do candelabro sagrado e, no entanto, vinda de outra dimensão, a luz resplandeceu por oito dias.


Mas a festa de Hanuká não celebra, apenas, a dedicação do Templo de Jerusalém. Mas também um movimento miraculoso, que também vem de Deus, e que salva nossas consciências do colapso.

Pois o Templo é metáfora, e Hanuká é parábola, pelas quais entendemos o miraculoso processo pelo qual podemos elevar nossas consciências.


De fato, como no Templo arrasado, vemos, muitas vezes, nossas consciências dilaceradas pelo mundo, contaminadas pelos erros, destruídas pelos desejos efêmeros da vida, pelas ideias falsas e mentiras. Escurecidas e sem vida.


Mas, nessa escuridão, dentro dela, para além dela, brilha uma chama oculta, divina, eterna, purificadora, que é capaz de iluminar e transformar nossas consciências. E a transformamos, se a acendemos com calma, humildade, e silêncio interior. Se nos curvamos, diante dessa realidade misteriosa e resplandecente.


É Deus que salva a nossa consciência da morte, diante das tragédias do mundo e da vida. É Deus que permite, a cada dia, a cada momento, que acendamos nossas consciências com esse óleo infinito, que ilumina, torna visível, tudo aquilo que somos.

E devemos ser, aquilo que somos. Descendentes da Abraão, Isaac e Jacó, seres humanos, filhos de Deus. Seres capazes de discernimento.


Mas Hanuká não nos fala apenas de nossa consciência. Mas também de nossa alma. Esta não é, nessa experiência mística, metafórica, de uma chama imorredoura, entendida como passível de destruição pelo mundo, ou de ser liquidada pelo tempo.

Mas, estando repousada nesse líquido inflamável eterno, o Espírito de Deus, ela se acende, pelos nossos atos justos, para a eternidade.


Por isso disse o profeta Daniel que os justos “resplandecerão com o fulgor do firmamento; e todos quantos se dedicam a conduzir muitas pessoas à verdade e à prática da justiça, serão como as estrelas: brilharão para sempre, por toda a eternidade!” (Daniel 12:3)


Porque a nossa alma nunca morre, mas é permanentemente revivida pela luz divina, que sempre ali está, além do mundo, subjacente à escuridão da morte.

Hanuká nos fala então da eternidade e da vida do povo de Israel. Da consistência luminosa que deve possuir nossa consciência. E da luz perpétua que brilha no interior das nossas almas, como a das estrelas, que nos assegura a vida eterna.


Por isso em Hanuká nos emocionamos e alcançamos a esperança da redenção, do nosso povo, das nossas consciências e das nossas almas.

Que essas velas brilhem sempre em nossos corações. Todo dia, a todo momento. Eternamente.


Shabat Shalom!


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