Prédica de Edgard Leite no Grande Templo, 16/02/2019



Grande Templo Israelita, 1935

Prezados amigos:


Há um ano recomeçamos nosso serviço regular de Kabalat Shabbat no Grande Templo.

Todos nós temos nos reunido, em comunhão, aqui, neste prédio antigo, repleto de espírito,

para estar alguns minutos com o nosso Deus, o Deus de Israel, recebendo o Shabbat.


A nossa presença é a garantia de continuidade deste Templo e da memória daqueles que o construíram.


Devemos reconhecer, acima de tudo, a persistência de nosso presidente Ruy Schneider, digno neto do líder fundador dessa sinagoga, Jacob Schneider.
O seu esforço é contínuo e intenso. E devemos multiplicar seus esforços, dando seguimento a essa missão de manter, aqui, este memorial à nossa Fé no Deus único de Israel.

Há, sobre o assunto, uma interessante história no livro de Josué:


Quando a terra de Israel foi divida entre as tribos, as tribos de Ruben, Gad e a meia tribo de Manasses estabeleceram-se para além do rio Jordão, fora da terra sagrada de Canaã.


Conta-se então que essas tribos residentes, para além de Eretz Israel, “edificaram um altar junto ao Jordão, um altar de grande aparência” (Josué, 22:10)


Quando souberam disso, aqueles que viviam em Canaã reuniram-se, e ficaram revoltados por esse ato que parecia um desafio à sacralidade da terra dada por Deus aos hebreus. Pois o Tabernáculo era único, e estava sediado em Eretz Israel.


E decidiram, então, fazer guerra contra os transgressores.


Ao lá chegarem, os israelitas desafiaram aqueles que haviam erguido tal altar:


“Se a terra que vocês receberam como propriedade está contaminada, passem então para a terra que pertence ao Senhor, onde está o tabernáculo do Senhor, e se apossem de um território entre nós. Mas não se rebelem contra o Senhor nem contra nós, construindo para vocês um altar que não seja o altar do Senhor, do nosso Deus. (Josué 22:19).


Isto é, entenderam que as tribos de além do Jordão estavam desafiando a unicidade do espaço de culto. Construindo outro templo.


As tribos que haviam realizado esse altar, no entanto, assim inquiridas, responderam:


“resolvemos construir um altar, não para holocaustos ou sacrifícios, mas, para que esse altar sirva de testemunho entre nós e vocês e as gerações futuras, de que cultuaremos o Senhor em seu santuário com nossos holocaustos, sacrifícios e ofertas de comunhão. Então, no futuro, os seus descendentes não poderão dizer aos nossos: ‘Vocês não têm parte com o Senhor’.

"E dissemos: Se algum dia disserem isso a nós ou aos nossos descendentes, responderemos: Vejam a réplica do altar do Senhor que os nossos antepassados construíram, não para holocaustos ou sacrifícios, mas como testemunho entre nós e vocês". (Josué 22:26-28).


Esse é o espírito da sinagoga, e o da nossa sinagoga: estando tão longe da terra de Israel, “do outro lado do Jordão”, ela serve, acima de tudo, de testemunho da aliança entre Deus e os hebreus, e é representação da profundidade de nossas crenças e dos elos entre as gerações.


Isto é uma sinagoga: um lugar de memória, de celebração das verdades de nossa história e de Deus, um lugar de convergência e comunhão de muitas gerações.

Por isso, aqui, hoje, nesta sinagoga, o Grande Templo, celebramos os elos entre o povo de Israel e Deus, e testemunhamos essa aliança milenar, que nos une e nos irmana aos que antes aqui estiveram.


Shabbat Shalom!

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