Prédica de Edgard Leite, no Grande Templo, 22/03/2019


Prezados amigos:


Celebramos a festa de Purim. Nela nos recordamos de acontecimentos que tiveram lugar no antigo Império Persa, e que estão narrados no Livro de Ester.


Trata-se da tentativa de Hamã, ministro do rei Asueros, de eliminar os judeus.


Essa conspiração, motivada por inveja e outros sentimentos menores, foi abortada pela intervenção de Mordecai e de sua sobrinha, a rainha Ester. Mas foi a misteriosa intervenção de Deus que decidiu os acontecimentos em favor do povo de Israel.

Esse livro, na verdade, fala dos constantes desafios que, ao longo do tempo, foram colocados à existência física dos judeus e como, de maneira miraculosa, foi o nosso povo sempre salvo, num momento extremo.


Salvo pelo nosso brilho e esforço. Para testificar ao mundo o caráter eterno da escolha divina. Salvo pelos nossos textos.

Somos um povo profundamente voltado para nossos livros sagrados.


A Torá, acima de tudo, o pilar de Israel.


O Tanach, como um todo. Contém a Torá, mas também os textos proféticos, e escritos diversos, entre eles os Salmos e o próprio Livro de Ester.


O Talmude, essa extraordinária e milenar compilação de nossa forma de entender a mensagem essencial da Torá.


O Zohar, com toda sua profundidade mística, e o poder que dessa profundidade emerge e emana.


E toda a literatura rabínica, medieval e moderna.


Nesses textos sagrados repousam as fontes de nossos valores, nossas percepções, nossos sentimentos sobre o mundo e a vida. E neles também está presente o espírito redentor de Deus.


Se sobrevivemos também devemos a esses textos, que são os fundamentos da nossa existência, de nosso ser. De nossa vida.

O Grande Templo Israelita se uniu ao projeto de construção de um Museu do Texto Sagrado, na cidade de Gouveia, em Portugal. Projeto de autoria do visionário professor da Universidade de Lisboa, Dr. José Eduardo Franco.


É importante, neste mundo tosco e superficial, no qual vivemos, onde se combate o espírito e Deus, reencontrar os textos sagrados.


É essencial que leiamos sempre nossos textos, reaprendamos a entende-los, e a apreciar sua profunda e essencial sabedoria, que é de origem divina.


Sabedoria que legitima não apenas nossa existência como judeus, mas que é elemento estruturante e basal da própria civilização ocidental.


Em Purim celebramos nossa existência. Fruto da ação de Ester e Mordechai.


Mas também de Deus, por maneira sutil e decisiva. É de imensa relevância o fato milagroso de que o rei redescobre a lealdade essencial dos judeus ao seu governo numa noite, na qual, insone, “mandou trazer o livro de registro das crônicas, as quais se leram diante do rei” (Ester, 6:1).

Relembra, ao ler páginas antigas, a defesa que Mordecai fizera de seu reinado, no passado. E que nada tinha sido dado a ele por isso.


Assim como os judeus sempre se esquecem de seu passado e dele permanentemente se lembram, por intermédio da Torá, como nos explica o Livro dos Juízes, o Rei Asueros, por inspiração superior, encontra, num livro, o testemunho da justiça.

Por um ato, inspirado, de consciência, reverte então a decisão que iria tomar e, ao invés de executar os judeus, ordena o enforcamento de Hamã.


A significação de ler, e, pela leitura, redescobrir a razão mais profunda da realidade das coisas, é uma das mensagens divinas contida em Ester.

Nos nossos livros sagrados repousa a razão de nossa existência, e testemunha-se nossa contínua vitória contra nossos inimigos ao longo dos milênios. E o esquecimento é, também, um inimigo.


Os nossos textos sagrados são os testemunhos da nossa Justiça.


Voltemos a eles, para lembrar quem somos.


Shabbat Shalom!

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