Prédica de Edgard Leite no Grande Templo, 8/11/2019

Atualizado: 12 de Nov de 2019


A jornada de Abraão é essencial.


Essencial porque tudo que ocorre na história, depois desse chamamento de Deus, guarda relação com essa jornada.


Quando Deus pediu que Abraão olhasse as estrelas do céu e afirmou que sua descendência seria incontável, estava pronunciando uma das mais cristalinas e impressionantes profecias bíblicas.

Bilhões de pessoas, hoje, de fato, reivindicam essa ascendência nobre, iluminada, tocada pelo espírito de Deus. E observemos que poucos personagens bíblicos tiveram um destino profético tão extraordinário.

E aqueles que se dizem seus descendentes, ou seguidores, de diversos ramos religiosos, línguas e culturas, transformaram definitivamente a humanidade.


Aquele núcleo familiar tão frágil, que migrou de Ur para Canaã, recebeu de Deus a ordem de ascender. De subir à terra prometida.


Filon, um filósofo judeu antigo, dizia que essa jornada era essencial, também, porque era a jornada exemplar do ser humano.


Jornada que deveria ir das coisas menores do mundo, da escravidão, das aparências, na direção da redenção. Isto é, no caminho que vai para as coisas do espírito, na direção de Deus.


E todos os seus descendentes foram ordenados a agir como Abraão. Buscar a liberdade, que está no espírito. Buscar a Deus, buscar sua elevação espiritual. Caminhar no rumo da Verdade.

E isso era uma simples questão de obediência.


Pois esse caminho expressa, acima de tudo, o misterioso amor de Deus por uma família, por um clã. E um compromisso, inicialmente de um núcleo familiar, em obedecer esse chamamento.


O que singularizava Abraão, era, também, sua clara humildade.


Ele era dotado de um sincero sentimento de obediência a algo maior, a Deus e ao império das circunstâncias. E isso advinha dessa convicção absoluta, sem nenhuma mácula, de que

Deus, o seu Deus, era o senhor do mundo, inclusive das circunstâncias.


E que tudo que acontecia acontecia por um sentido maior.


Isso lhe vinha de dentro. Do fundo da consciência, como absoluta verdade.


Era igualmente um homem inteligente e solidário.


Se preocupou com Sodoma e Gomorra, porque ali viviam humanos. E dialogou com os anjos que Deus lhe mandou, sem ao menos perguntar, antes, o que eles eram. Dialogou com Deus mesmo sabendo que estava diante algo infinito.


Mas tudo o fez sabendo que Deus era maior que tudo, senhor das vidas e da história.


Se submeteu à circuncisão sem hesitar, e padeceu as suas dores com absoluta fé e tranquilidade.


Sua grandeza moral era extraordinária. Agia porque Deus mandava. Se colocava respeitosamente diante dele, quando achava correto. Mas aceitava a palavra definitiva da vida e da vontade divina.


A jornada de Abraão é essencial, porque nosso patriarca ainda hoje convida a todos nós, a todos os seus descendentes, a confiar em Deus.


Confiar na justiça de Deus, na sua intervenção contínua e miraculosa nas coisas do mundo.


Nos convida a crescer, a se mover, na direção da liberdade, a única liberdade possível, a que se realiza na aceitação desse império de Deus. Que é um império de Justiça.


Porque a autoridade de Deus sempre será, ao fim, uma autoridade preocupada com os homens. No qual a justiça sempre vencerá, independente dos descaminhos das decisões humanas.

Os poderes da terra nada são diante dessa vontade maior. Podem os poderosos libertar todos os criminosos do universo. Podem mesmo instituir um regime de criminosos.

Mas há uma vontade que sempre triunfa: a da justiça divina. Ela olha, acima de tudo, o ser humano. E o seu bem-estar.


Há um momento muito bonito na Torá, quando Abraão subiu às montanhas e observou Sodoma e Gomorra destruídas, reduzidas a brasas fumegantes.


Ali ele teve a convicção de que nada, no final, escapa a Deus.


E que as impiedades humanas, suas atrocidades e iniquidades, são sempre punidas.


Sabemos disso, ao ver Berlim, em 9 de maio de 1945, reduzida, igualmente, a brasas fumegantes.


E, portanto, lhe foi claro que a sua jornada de ascensão, de Ur à Canaã, do mundo ao espírito, jornada essencial, é um caminho de esperança.


Mesmo que ele não soubesse como, nem quando, nem de que maneira, o bem triunfaria, ao final.


Ali, em Sodoma e Gomorra devastada, pelo Eterno, ele viu que, nas batalhas cotidianas contra o mal, é sempre de Deus a última palavra.


E daí vinha a sua tranquilidade, que deve ser também a nossa.


Shabbat Shalom.

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