Prédica de Edgard Leite no Grande Templo, 9/03/2018

Atualizado: 9 de Mai de 2018

Prezados amigos,


A parte da Torá que estudamos nesta semana diz respeito ao interior e ternura da experiência religiosa.

Após descer do Monte Sinai com as tábuas da Lei, Moisés tinha o rosto resplandecendo. E falou novamente ao povo.

Anunciou que a vontade de Deus era a de que todos deveriam contribuir para levantar o Mishcan, o Tabernáculo, um lugar sagrado.

Era uma tenda, na qual seriam realizadas as cerimônias religiosas adequadas, exigidas por Deus.

Nela seriam colocados, entre outros utensílios, a mesa dos pães, o altar do incenso, a Menorá. E, no Sagrado dos Sagrados, a Arca da Aliança.

Todo o povo deveria contribuir para isso.

“E assim vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração” (Ex 35:22). Alguns traziam ouro, prata e pedras preciosas, outros tinturas, e peles. Ourives ofereciam seu trabalho e as “mulheres sábias de coração fiavam com suas mãos e traziam o que tinham fiado” (Ex 35:25).


“Todo homem e mulher cujo coração voluntariamente se moveu trouxe alguma coisa, para toda a obra que Deus ordenara que se fizesse pela mão de Moisés” (Ex 35:29).


O Mishcan foi, por fim, gloriosamente levantado. E, então, “uma nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória de Deus encheu o Tabernáculo” (Ex 40:34).

Essa obra complexa e sagrada era desmontada, de forma frequente, quando o povo se movia pelo deserto. E novamente montada, quando os filhos de Israel paravam em algum lugar.


“A nuvem de Deus estava de dia sobre o Mishcan e o fogo estava de noite sobre ele, perante os olhos de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas” (Ex 40:38)


A Glória de Deus nunca abandonou o Tabernáculo. Mais tarde, habitou o Templo, que recebeu os utensílios místicos, que estavam no Mishcan. E jamais deixou de estar na montanha sagrada.

Como Deus é infinito, infinitos são os sentidos da Sua palavra. A construção do Mishcan lembra-nos também a construção de nossa relação consciente com Deus.

Tal relação exige uma doação interior- de nossas fragilidades, potências e vontades. Através delas levantamos, na nossa intimidade, o espaço para a presença do divino.

A doação do ouro, das pedras preciosas, das tinturas, das peles, são, na nossa alma, os esforços que realizamos para agirmos bem, com o próximo, conosco e com o mundo.

Da mesma forma as nossas qualidades devem ser empregadas para levantarmos o nosso Mishcan interior, local da união do ser com o Espírito de Deus.

E como os filhos de Israel no deserto, nós também nos deslocamos ao longo do tempo e da vida. E nos vemos movidos a desmontar e remontar continuamente nosso Tabernáculo espiritual.

É nele onde nos encontramos, em segredo, com o Deus de Israel, o nosso único Deus.

No decorrer desse movimento íntimo, o nosso Mishcan interno, na nossa parte mais privada, terna e verdadeira, passa a ser habitada por Deus. Pela chama do Espírito. E Deus nunca nos abandona.
Realiza, dentro da nossa alma e no nosso mundo, todos os milagres: as obras de nossa vida.

E assim caminhamos com o espírito de Deus, na nossa consciência, ao longo dos desertos da existência.

E, ainda num outro dos infinitos aspectos dessa narrativa mística, o Mishcan, do qual cuidamos, também é a nossa sinagoga.

Aqui, na Arca Sagrada, a presença de Deus, na Torá, nos inspira na caminhada pela história. Desmontamos e remontamos sinagogas.

Assim estamos agora levantando novamente nosso Grande Templo.

Os herdeiros e os sucessores daqueles que construíram esta sinagoga também se voltam para recompo-la e restabelecer esses elos sagrados entre os filhos de Israel e HaShem.

E, novamente, somos chamados a contribuir, com o que podemos, para que esse Templo maravilhoso, onde Deus habita, continue a ser núcleo de espiritualidade e identidade.

Dessa maneira a Torá nos fala, simultaneamente, da experiência de Moisés, de nossa experiência íntima e de nossa experiência comunitária.
Da nossa jornada incessante na direção do Sagrado dos Sagrados.

No monte do Templo, em Jerusalém, no íntimo da nossa consciência, em todas as sinagogas, e na nossa querida sinagoga: o Grande Templo.

Isso tudo o fazemos diante da aridez dos desertos que atravessamos, na vida e na história.

Lembramo-nos do Rabi Nachman de Breslov, quando diz que:

“Só tu, Deus, podes dar a esperança aos meus sonhos. Com tua ajuda, nenhum dos esforços jamais será em vão. Com tua benção, todas as dificuldades que enfrento se transformarão em frutos. Só tu Deus, és a chave para o sucesso de tudo que faço”.

Preservando o Sagrado dos Sagrados, em nossas consciências, em nossas vidas e em nossa história, erguemo-nos na direção de Deus e presenciamos os milagres e as bençãos que emergem de sua presença:

As alegrias de ver e viver Israel emancipado, e liberada a sagrada cidade de Jerusalém.

A liberdade, diante das forças que nos prendem ao sofrimento do mundo.

A integração comunitária, na nossa sinagoga.

O triunfo da ternura em nossas vidas: na grandeza e doçura do amor, nas nossas amizades e nas nossas famílias.


Shabat Shalom!


Ver prédica de 2 de fevereiro de 2018


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