Prédica de Edgard Leite no Grande Templo Israelita, 10/5/2019


Prezados amigos,


Nós, os judeus, somos o “povo do Livro”. Do maior dos livros, que é a Torá. Livro mais publicado do mundo. Traduzido em todas as línguas.


É o nosso maior patrimônio, porque nos foi dado por Deus, há milênios, numa jornada que nossos ancestrais realizaram no deserto do Sinai.


E embora todos, hoje, o conheçam e dele retirem sua imensa sabedoria, somos nós os seus guardiões históricos e espirituais. Aqui, na sinagoga, o guardamos num cofre, o Aron Hakoseh, a arca sagrada. E também o guardamos em nossos corações e memórias.


Ler, estudar e entender a Torá é o nosso maior objetivo religioso, existencial e espiritual.
O estudo, portanto, está na essência da nossa identidade. Porque estudar é ato de transcendência, deste mundo para o universo de Deus. Da existência para a redenção. Ou, simplesmente, do conhecido para o desconhecido.

Estudar a Torá não é só le-la e repeti-la. É compreender a sua profunda mensagem moral e ética. É entender seus valores - que iluminam o mundo até hoje.


Por isso o estudo, para o povo judeu, não é um ato leviano. É, ao contrário, um processo muito profundo. Que tem a ver não apenas com o conhecimento do mundo, mas com o conhecimento dos valores e princípios que sustentam o mundo.


Vivemos hoje o colapso de um modelo educacional, que, como observamos a todo momento, em torno de nós, gerou sombras e não seres humanos. E atou os seres a um universo de mentiras e ilusões.

Os judeus devem dar ao mundo, a este respeito, uma mensagem adequada à nossa herança. A educação não deve servir à Baal e ao seu culto dos prazeres do mundo. Mas sim para aproximar o homem dos valores eternos de Deus. Conduzi-lo na direção da verdade.


Pois foi assim que os judeus, século após século, construíram sua identidade. Fundada sobre esse espírito de estudo: maior que nós é Deus, mais importante a sua promessa. Mais sério que as causas deste mundo é nosso compromisso com ele.

Por isso sobrevivemos, e não por acreditar em Baal.


E foi assim, das ruínas da Judéia destruída pelo Imperador Adriano (seus ossos, hoje, são pó), onde o nosso povo quase desapareceu, há dois mil anos, que chegamos hoje ao 71o. aniversário do Estado de Israel restaurado.


E não nos deixemos enganar pela opulência atual de Eretz Israel. Ela não basta por si, nem emerge do vazio. Sem nossos vínculos com o divino e seus valores, nada somos. Nada seremos. Deus é a nossa sustentação. O estudo da sua mensagem nosso fundamento. O estudo o vetor de nossa realização.


Israel repousa nos valores divinos. Seu poder emana do espírito de nosso Livro.


Assim, podemos dizer que a educação deve estar repousada não no elogio das drogas, do ódio, da mentira, ou nas ilusões em uma potência que o ser humano nunca terá. Não no conflito entre professores e alunos, não no desrespeito da autoridade e da experiência.

Mas sim em valores maiores, que levam o ser humano a confiar nas tradições, nos valores, no significado maior de sua coletividade, e do sacrifício por ela, no sentido sagrado de sua união, no valor da sua Pátria e da sua Nação.

Deus sustenta, no nosso Livro, na Torá, a superioridade do bem comum, a necessidade da harmonia entre todos aqueles que, cada qual à sua maneira, sendo o que são, constroem um sociedade justa.


Maimônides disse, certa vez, que era capaz de reconhecer uma sociedade justa quando encontrava, numa feira, um rico e um pobre negociando em paz, isto é, unidos, em prol do bem de cada um e de todos. A obra de Deus busca a harmonia.


Deus inspira todos os atos bons, agregadores. Por isso uma sociedade harmônica é expressão do espírito de Deus.
A educação deve ter em mente esses objetivos morais e essa imensa preocupação com o bem, com a humildade diante de Deus, com a preservação do bem comum. O bem comum que emerge de uma moral objetiva consistente: a mesma que permite sutil renúncia às vontades individuais que caracteriza o ato de estudar. Que coloca o próximo e o mundo como mais importantes que nossos desejos pessoais. A educação será, assim, bem sucedida, se fundada nesses valores.

Essa é mensagem que nós, judeus, podemos e devemos passar a todos com os quais convivemos, na sociedade na qual vivemos e atuamos. Pois somos pelo seu futuro também responsáveis.


Pois Deus é Deus de todos. E a todos, seus filhos, nós todos, Ele deseja o bem. E cabe-nos buscar esse bem.


Shabbat Shalom!

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