Prédica de Edgard Leite no Grande Templo Israelita, 10/8/2018



Prezados amigos,


O caminho da Torá é uma trajetória de redenção, de liberdade.


São muitas as liberdades que se alcançam, pela promessa de Deus.

Inicialmente a liberdade do Egito, a qual, além do seu significado histórico mais amplo, também representa a libertação da nossa consciência. Ruptura com a ignorância relativa à presença e ao amor de Deus. Que é também consciência do mistério do mundo.


Depois, a liberdade que advém da aceitação da Lei, que é a liberdade de nosso egocentrismo, vaidades e arrogâncias. A Lei não oprime. Ela nos liberta. O que oprime é a nossa “nuca inflexível” (Ex 32:9), nossa metafórica dificuldade em “curvar a nuca”, reconhecer.


É essa "nuca inflexível" o que nos aprisiona ao império absurdo de nossas vontades egocêntricas. É desse domínio que a Lei nos liberta. Tornamo-nos, pela Lei, livres para respeitar, entender e amar.


Deus também nos aponta a liberdade de ser o que somos.

Isto quer dizer sermos um povo, na nossa terra de Israel. E também humanos, à imagem e semelhança de Deus. Humanos em plenitude, livres de um mundo onde somos convidados sempre a ser predadores, animais selvagens, ou pedras, desprovidos de vida.


E também é redenção estarmos, em algum momento, no fim das coisas, conforme a promessa, livres por toda a Eternidade desse mundo de dores e incompletude.

Realidade na qual, pela justiça dos nossos atos, alcançamos a vida eterna.


Tal processo de libertação se dá na história. Ao longo das gerações, conforme inúmeras promessas de Deus, caminhamos, geração após geração, na direção da liberdade. Neste caso liberdade absoluta, ou seja, a eternidade.


Mas esse processo também é comunitário, e pessoal. E íntimo.


Ao longo da nossa vida avançamos para sermos livres, cada vez mais distantes de nossos erros e de nossos pecados.


Na direção daquela tranquilidade que vem da consciência livre e que repousa na felicidade da experiência da Verdade. Naquela simplicidade redentora que derrota nossas ilusões sobre as coisas do mundo. Isso é, também, liberdade.

Entramos agora no mês de Elul. É um mês importantíssimo no processo de nossa redenção.

É nele que nos preparamos para os Iamim Noraim, e para esse momento tão central em nossa caminhada para a liberdade que é o Iom Kippur.


Neste mês nos dedicamos a refletir sobre as nossas “nucas inflexíveis”, sobre os descaminhos de nossa consciência, sobre a nossa escravidão aos valores falsos do mundo.

Nele nos tornamos, de novo, conscientes de nossos erros e vícios. Aqueles que sempre nos afastam do essencial da Lei: o reconhecimento da grandeza e humanidade do outro. Pelas quais percebemos a presença e a realidade de Deus.


Chamamos a este processo de teshuvá. Retorno. Retorno a Deus, à promessa da liberdade que Deus nos oferece: liberdade que é a correção moral e ética. E que nos enche de uma paz silenciosa e íntima.

Sabemos que Deus nos perdoa, porque o buscamos, com sinceridade e verdade. Absolutamente conscientes de nosso erros. E ele sabe de nossas problemas.


Diante dele nos tornamos, a cada Iom Kippur, mais livres, com a mente mais clara e cheios da transparência do entendimento.


No entendimento do outro, no respeito ao outro, no entendimento e respeito a nós mesmos. No entender do perdão de Deus, do perdão ao outro, a mim mesmo, e do ato de perdoar.


Sem nunca perder de vista, é claro, essa sutil dimensão da Justiça, do equilíbrio entre a dimensão de nossos atos e daquilo que eles ocasionam no mundo e que a nós retorna. Pois isso também é coisa de Deus.


É, nossa trajetória ,caminho de vida, que ano após ano vivemos como quem sobe, lenta e cautelosamente, o monte Sinai.


Nessa jornada, percebemos que a “nuca inflexível”, que parece ser tão rígida, através do arrependimento e do encorajador perdão de Deus, se torna, a cada ano que passa, mais suave, e se curva, em reverência, ao milagre da vida.

À presença onipresente de Deus.


Convidamos a todos a essa comunhão dos Iamim Noraim aqui no Grande Templo.


E desejamos que todos possamos reencontrar o próximo com perdão e justiça e experimentar a Lei de Deus, e seus fundamentos morais e éticos. Libertadores da consciência, realizadores da essência de nossas almas.


Shabat Shalom!

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