Prédica de Edgard Leite no Grande Templo Israelita, 12/07/2019


Prezados amigos:


Todos nós temos uma grande responsabilidade, aqui, no Grande Templo: a de trabalhar pela sua restauração, espiritual e material.


Há vários exemplos, no Tanach, na Bíblia, de momentos exatamente iguais a este. Pois construir e manter a casa de Deus é um compromisso explicito no pacto estabelecido entre HaShem e o povo de Israel.

Na Torá, por exemplo, HaShem conclama os israelitas a construir o Mishkan, e exige, deles, a doação de suas qualificações, de seu tempo e de seus recursos para que a tenda sagrada possa ser erguida.


O Rei Salomão, também sob mandamento divino, reuniu o que havia de melhor em Eretz Israel para erigir o templo de pedra, madeira e ouro. E exigiu, também, não apenas recursos físicos e doações - daquilo que as pessoas tinham de melhor, para os sacrifícios necessários-, mas também o trabalho e esforço dos judeus.


Depois da destruição do primeiro templo, também os judeus, sob a liderança de Neemias, se movimentaram para restaurar a residência sagrada.


Todos contribuíram com o que puderam, com generosidade, de coração e discernimento, para que o Templo voltasse novamente ao seu papel central na vida espiritual do povo judeu.


Muitos exemplos temos, na história judaica, de sinagogas que foram esquecidas, e depois restauradas.


Porque é este um dos compromissos por nós assumidos: recuperar a memória, lembrar sempre, nunca esquecer. E construir e manter a casa onde o nome de Deus é louvado.

E é, portanto, nossa missão reconstruir sinagogas, em memória à reconstrução do Templo de Jerusalém e em respeito à promessa da redenção.


O que fazemos aqui é repetir o que nós, os judeus, sempre fizemos: superar o esquecimento, reencontrar nossas origens, refazer nossos vínculos com o passado e recordar o pacto com Deus.

Passados mais de ano do reinício de nossas atividades religiosas, estamos aqui vivendo algo que é o próprio âmago da identidade judaica.


Precisamos, todos nós, unir esforços para o reencontro com nossa memória.


Reencontrar nossos ancestrais, que aqui sempre estiveram presentes, que aqui se conheceram, se casaram e celebraram nossas festas. Dar nossas mãos a eles, estarmos junto deles. Em espírito e consciência.

Reencontrar nossas raízes, nossas fontes espirituais, Reencontrar com nosso Deus, que aqui, nestes rolos da Torá, habita.


Esta missão deve nos envolver, portanto, a todos. A nossa doação nesse sentido é a construção de pontes com nosso passado, com nossa identidade, com nosso espírito. Doação a Deus.


Unidos, temos essa responsabilidade de resgatarmos nossa identidade. De estarmos próximos àquilo que nos identifica e de sermos nós mesmos.


E somos nós mesmos, porque aqui é a nossa origem, ao contribuir e trabalhar para reerguer este Grande Templo.

Unimos, assim, nossas consciências à de todos aqueles milhões de judeus que, ao longo da história, reconstruíram, várias vezes, a casa de Deus em Jerusalém. Aos que construíram e edificaram sinagogas. A todos que com imensos sacrifícios pessoais, ergueram este Grande Templo.


E aqui, o espírito da presença divina, presença necessária em nossas vidas, está presente. Não só nos rolos da Torá, mas na ternura que as lembranças de nossos ancestrais suscita nas nossas consciências.


Temos uma grande responsabilidade. E agradecemos a Deus por estarmos sendo dignos dela.


Shabbat Shalom!

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