Prédica de Edgard Leite no Grande Templo Israelita, 13/07/2018



Prezados amigos: 13/07/ 2018


Na parashá desta semana lemos que, em um momento da travessia pelo deserto, Deus informou aos israelitas os limites da terra prometida.


De fato, a promessa de Deus a Abraão, do domínio sobre Canaã, era, até aquele momento, um pouco vaga.

Diante da proximidade do desfecho da jornada, Deus fixou as fronteiras do território a ser conquistado. A terra que aos hebreus cabia por Sua vontade.

Para nós, hoje, quase três mil e quinhentos anos depois, o perfil geográfico geral continua sendo claro.


Deus começou com os limites “no lado sul”, estabelecendo uma linha que vinha da “extremidade do mar salgado” [o mar morto] (Nm 34:3), passando pelo Monte Sinai, pelo deserto, e chegando até o Egito e o mar mediterrâneo, ao sul de Gaza.


A seguir, afirmou que “a fronteira ocidental de vocês será o litoral do Grande Mar” [o Mediterrâneo] (34:7).


Em seguida, estabeleceu os limites do norte: “do mar grande até o monte Hor” [provavelmente no Líbano atual] “até a entrada de Hamate”, [na Síria, atualmente](34: 7-9).

Depois, tratou da fronteira ocidental, que “descerá ao longo do Jordão e terminará no mar salgado” [mar morto].


“Será essa a terra de vocês, com as suas fronteiras de todos os lados” (34:12).


O território descrito foi, mais ou menos, a área dentro da qual o povo judeu viveu três mil anos de história.

A Bíblia, especialmente, no que nos diz respeito, a Torá, o Pentateuco, é o livro mais publicado no mundo, e o mais traduzido. A Torá tornou-se conhecida universalmente, desde o momento em que essas traduções começaram a ser feitas.


Se estima que está publicada em cerca de 2500 línguas e dialetos. Mais traduzida do que qualquer texto religioso conhecido.


Só no Brasil, por ano, se vendem mais de 11 milhões de Bíblias, e em todas elas há uma tradução da Torá.


A extrema antiguidade da presença judaica na região é, portanto, de conhecimento universal.


Qualquer estudioso da Bíblia, qualquer que seja sua confissão religiosa, e qualquer que seja sua interpretação, conhece essa descrição das fronteiras de Israel.


Pode causar espanto, portanto, que existam seres humanos que, neste planeta, neguem o direito dos judeus à sua terra.
Não há como negar o extenso corpo documental bíblico que afirma, em todos os seus momentos, essa convergência mística de destinos entre uma promessa, uma terra e um povo.
E que começa com a curta promessa de Deus a Abraão: “Aos seus descenden­tes dei esta terra” (Gn 15:18).

Mas a promessa de Deus não está limitada à conquista física do território.


Os profetas, cujos textos também foram traduzidos em 2500 línguas e dialetos, explicaram que naquela região iriam ter lugar os acontecimentos que preparariam o tikum olam. O advento de um mundo renovado, eterno. A vinda do messias.


Evento que teria efeitos redentores sobre todos os povos.


Assim, tal negação não é espantosa. Ela é típica, e a Torá fala dela o tempo inteiro. É derivada da dureza do coração humano, e da ação contínua de consciências escravizadas.

Rebelam-se usualmente os homens contra aquilo que é bom e justo, contra o que é verdadeiro e simples. Rebelam-se contra um projeto redentor, que aproxima os homens uns aos outros e instala a paz no coração e as nas consciências.


A negação não é apenas a negação ao direito dos judeus à sua terra, mas a negação ao projeto espiritual que essa terra representa.
Disse Deus a Abraão: ”Abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da superfície da terra” (Gn 12:3).

De fato, quanto mais essa negação cresce e se universaliza, mais visíveis e luminosas tornam-se, ao longo da história, a grandeza dessa promessa de liberdade e justiça.


As fronteiras da terra prometida são a moldura de uma promessa divina de moral, de ética, de redenção.


Que é assim representada, na Torá, por um mapa: o de Eretz Israel. E somos felizes de vivermos num tempo em que esse mapa tornou-se realidade física.


E devemos, mais do que nunca, estar à altura desse evento extraordinário, e de todo seu significado espiritual e misterioso.


Shabat Shalom!

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