Segunda prédica de Edgard Leite no Yom Kippur, Grande Templo Israelita


O Eterno não nos vê apenas num momento, neste momento. Ele está além do tempo. Ele nos enxerga como um todo, antes de nosso nascimento, na nossa infância e velhice.


"Antes que te formasse no ventre te conheci”(Jr 1:15).


Ele sabe tudo, o que somos e o que seremos.


Há um processo pelo qual, ao longo da vida, buscamos elevar nossa consciência e atender aos planos que o Eterno tem para nós.


“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", disse o Eterno a Jeremias, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro” (Jr 29:11).


São nossas decisões e escolhas que asseguram nosso caminho, nossa prosperidade espiritual, existencial, material, nosso futuro.


"Prestem atenção! Hoje estou pondo diante de vocês a bênção e a maldição. Vocês terão bênção, se obedecerem aos mandamentos do Eterno, que hoje lhes estou dando; mas terão maldição, se desobedecerem aos mandamentos do Eterno, e se afastarem do caminho que hoje lhes ordeno”(Dt 11:26-28)


Existe um poder que nos é dado. Essa capacidade assustadora de tomar decisões. E erramos, com frequência, com insistência, com loucura, porque nos achamos capazes de tudo ter.


E esquecemos que somos filhos do Eterno, apenas. Agentes limitados e mortais num mundo de limitações e mortalidade. Por isso nos encontramos neste dia.


Em Yom Kippur, ano após ano, retornamos, rezamos, sentimos o equilíbrio que deve presidir nossas ações, o valor daquilo que denominamos moral e ética.

Essa força ordenadora, pacificadora, tranquilizadora, que vem do Eterno.


E o Eterno está sempre pronto a nos perdoar, porque confia na nossa capacidade de discernimento. Ele a conhece intimamente, profundamente, absolutamente.


E, nós, confiamos na sua justiça, nos seus planos. E tememos o mistério da sua existência e de seu conhecimento.


O perdão de Deus é um permanente reinício, o recomeço contínuo de nossa liberdade. Liberdade para caminhar na direção das suas bençãos.


Repetimos em nós esse movimento sublime, ao pedirmos perdão e, principalmente, ao perdoarmos.


Na época em que havia o abençoado Templo em Jerusalém, o sumo-sacerdote, lemos isso hoje, na Torá, colocava


"ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele" confessava "todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados” e os colocava "sobre a cabeça do bode” e o enviava ao deserto. Aquele bode levava sobre si "todas as iniquidades” dos homens "à terra solitária” (Lev 16:21-22).


Esse desaparecimento das dores que decorrem dos pecados é um dos objetivos deste dia. É representada por essa jornada misteriosa do bode na direção da solidão do deserto. Do esquecimento.


Arrependimento, retorno, meditação, reconhecimento. Perdão. Movimento total, em todas as esferas visíveis e invisíveis. Com Deus, com o próximo, com a nossa alma.


Superar as marcas dos ressentimentos, deixadas pelos pecados humanos, os nossos, os dos outros, só é possível enviando-os para esse vazio do esquecimento, onde desaparecem.


Isso tudo consolida os efeitos do perdão divino e eleva nossas consciências, de forma misteriosa, a um nível superior.


E assim realizamos, ano após ano, os planos que o Eterno tem para nós: ”planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro”.


Realizar esses planos depende das nossas decisões. Decisões que devem ser tomadas com profunda humildade diante daquilo que realmente somos, seres humanos, apenas.


Mas também parceiros de Deus na construção de um mundo de confiança, ternura, amor, discernimento e verdade.

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© 2020 by Edgard Leite