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A paz como sentido


Não há momento, no passado, próximo ou distante, em que não possamos identificar conflitos entre pessoas. A afirmação da consciência, de alguma forma, exige esse conflito. Este é interno, na busca da definição da integridade ou da paz interior, e também é externo, ao se entender que nos tornamos íntegros a partir do enfrentamento do mundo, ou, eventualmente, de pessoas, ou forças, que nele atuam.


Mas existem circunstâncias particulares, que na memória se afiguram diferenciadas, em que muitos acreditam estar diante de uma definição maior de sentido das coisas, que podem assinalar, para o futuro, possibilidades estas ou aquelas de existência e sobrevivência. São aqueles momentos graves da vida, nos quais tudo se desenrola de maneira trágica, arrastando a pessoa para uma experiência na qual se rompem, de forma intensa, os elos de entendimento, simpatia e compaixão.


Assim ocorreu, ao que tudo indica, pelos vestígios que daquela época temos, no período de guerras entre 1914-1945. De forma incontrolável e movido por forças desconhecidas, as pessoas simplesmente se desconheceram. Antipatias naturais se tornaram rupturas mortais, opiniões vagas se tornaram certezas avassaladoras, a capacidade de perceber o próximo foi dissipada pela necessidade de não entender.

Não há razão suficiente que explique esse acúmulo majestoso de dores e distanciamentos. Como tudo, na vida, certas determinações estão fora de nosso alcance. São correntes que fluem sobre as consciências e as levam.


Podemos administrar esse processo do ponto de vista histórico? Parece claro que não. O ciclo de barbárie iniciado em 1914, por exemplo, só terminou quando se tornou tão inaceitável que foi entendido que era mais letal do que necessário à existência. Sempre fora mortal, mas o tempo que demorou para ser percebido como tal levou milhões de pessoas à mortes horríveis.


Alguém pode se perguntar, por exemplo no meio da insanidade de uma guerra descontrolada, o que se pode fazer para preservar-se vivo. É difícil dizer. Mas mesmo num conflito aberto e desumano, a consciência pode permanecer intacta. A necessidade de decisões corretas que conduzam à uma consciência íntegra faz com que a guerra ao menos não precise habitar em nosso coração. Isto permite que nos desloquemos pelo mundo com a paz claramente delineada como origem e destino da condição humana. Dessa forma a tormenta torna-se acidente. Mas não verdadeiro sentido.

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