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Meus livros


Eu escrevi e publiquei muitos livros e artigos. Já me esqueci de muitos deles. Mas a partir de 2019 comecei a produzir textos que posso considerar íntegros: condensações e proposições sistemáticas realizadas a partir das coisas que leio, leciono e escrevo. Há muitas coisas decisivas em textos anteriores, quer no reconhecimento do papel da sobrenaturalidade no pensamento e na existência, quer numa gentil e lógica superação de sistemas filosóficos materialistas. No entanto, foi principalmente a partir de 2019 que passei a perceber e encontrar um sentido que estava presente em tudo que fazia até então.


Com Predadores, repensando o Brasil nos seus fundamentos morais, ficou claro, para mim, que eu sempre tive uma pauta oculta: me interessava o tempo, os mistérios das decisões e das coisas, a fragilidade da condição humana nos momentos. Predadores é, assim, um primeiro livro no qual reconheci a existência desse sentido nas minhas pesquisas e reflexões. Tratei ali de pessoas aprisionadas em vícios e que desejavam se libertar deles: os primeiros brasileiros. Redescobri, para mim, o valor da moral, e o da Filosofia Moral, no entendimento das ações humanas, na transformação do nada em algo. Em Predadores reescrevi minha tese de doutorado e meus textos anteriores. Abriu-se um novo horizonte de pesquisa e meditação.


Os livros que escrevi a seguir dão conta dessas minhas buscas do sentido do pensamento, ou do meu pensamento. São especulativos e vão mapeando os limites das minhas preocupações, os meus horizontes experimentais, os fundamentos das minhas questões intelectuais. Assim foi com Identidade dissidente, de 2020. Nele falo de uma condição do Brasil, em meio a outras nacionalidades. Este livro fala também de mim, em meio a outras individualidades. Em O valor da liberdade (2021), minha preocupação é a desagregação das metanarrativas e das ilusões que estas despertam. Depois escrevi um livro mais pessoal, Diário místico (2021). E, por fim, O despertar do sentido (2022), uma releitura um pouco invertida de Predadores, onde aponto a virtude que surge como objetivo da angustia dos viciados e pecadores e se configura como um sentido de busca, tanto da alma humana quanto do Brasil.


O aprofundamento desse caminho me abriu uma nova perspectiva nas pesquisas. Como projeto, eu a expus em Ensaios serenos (2023). Envolve um desenvolvimento mais claramente filosófico das minhas preocupações: uma redefinição teórica, um entendimento distinto tanto do estudo da história quanto da natureza da história, um aprofundamento nas questões do tempo e da dialética transitoriedade/eternidade. Um olhar mais penetrante sobre o problema das decisões humanas. Os temas ali expostos foram tratados em A morada do Homem (2024), inicialmente, e em Tempo, eternidade e o sentido da vida (2025). Agora, estou lançando meu novo livro, A identidade da consciência e seus inimigos. Neste avanço bastante na minha investigação, que é pesquisa e meditação sobre a pessoa humana, em meio à transformação das coisas e à percepção da eternidade. E, é claro, sobre os movimentos de minha consciência frente à transitoriedade do mundo e sua transcendência.

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