Um novo documento do SNI sobre Edgard Leite e Ricardo Collazo
- Edgard Leite

- há 2 dias
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Este documento trata das pessoas que agiam na célula que atuava na interação entre movimentos políticos de resistência no cone sul.
O informe 198/81 do Serviço de Informações do Departamento da Polícia Federal consolida, de maneira sucinta, informações sobre o grupo que atuava “sob proteção" da ACNUR para difundir “material subversivo” no cone sul.
Esse grupo, do qual eu fazia parte, de fato realizava atividades muito singulares dentro do movimento revolucionário da época, pois fazia a convergência de diferentes movimentos de esquerda, muitas vezes antagônicos entre si, num mesmo objetivo: o apoio aos refugiados políticos.
O documento aponta julho de 1979 como o momento de início desse movimento, o que me parece, até onde me lembro, razoavelmente certo, pois fiz dezoito anos anos em junho de 1979 e a partir dai recebi a missão de participar de alguma coisa no qual o PCB tinha algum interesse. Minha proximidade dom o MLN-T uruguaio, por questões familiares, facilitou o trabalho.
A CLRA (Coordenadoria de Refugiados Latino-Americanos), em 1981, da qual eu fiz parte, foi uma das organizações que surgiram nesse processo geral de mobilização, mas ela já existia, informalmente, em 1979. O texto em questão é interessante porque ele busca fazer uma história do desenvolviment organizacional do movimento.
A minha participação como secretário executivo e organizador de fluxos documentais, inclusive internacionais, cresceu bastante durante o ano de 1980. Assim, o documento corretamente enumera pessoas que “merecem destaque” nesse movimento. Embora eles pareçam não saber o que de fato acontecia.
A natureza precisa dessas relações internacionais, como um todo, me escapam, hoje. Sei que a base da Suécia era muito importante e, mais tarde, quando fui representante brasileiro no Conselho Mundial da Paz, em 1990, pude perceber que a União Soviética tinha nisso tudo também alguma participação. Mas na ausência de documentos fica dificil afirmar alguma coisa.

O documento mistura aliados e militantes, mas não alcança duas ou três pessoas que desempenhavam, ao que me lembre, um papel mais importante dentro dessa ação. No entanto, me parece que eles já tinham ali elementos suficientes para neutralizar o grupo como um todo, se tivessem interesse ou força para isso.

Lembrei-me muito aqui do querido Ricardo Collazo, Lázaro, já falecido. Ex-preso político uruguaio, seus envolvimento e dedicação ao movimento eram notáveis. Ele me explicou muita coisa sobre como as organizações revolucionárias da época funcionavam, suas táticas e estratégias.
Que este post resgate e preserve sua memória.


